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    Qual a lenda por trás de filmes como O Grito e O Chamado?

    O Japão sabe como assustar, e como sabe! Em sua vasta mitologia encontramos certas criaturas que eu tenho certeza que você já viu em certos filmes em VHS!

    Onryo_Lenda_Grito_Chamado

    A Terra do Sol Nascente é singular. Não por suas estranhezas para os nossos padrões, mas os japoneses tem uma cultura única. E saibam que eles lutam muito pra manter essa cultura do modo que é. De vez em quando, algo que faz sucesso daquele lado vem para o Ocidente. Pokémon, Power Rangers, Cavaleiros do Zodíaco são exemplos clássicos. Mas, lá pelos meados do inicio do século XXI, um movimento aconteceu, os filmes de terror japoneses - e orientais de forma geral - ganharam público neste lado do globo. Isso atiçou os olhinhos de dinheiro de Hollywood para produzir longas com histórias similares.

    Do original é interessante saber o seguinte; O Chamado trata-se de uma repaginada de Ringu, um filme de 1998. Na verdade, o filme tem origem num livro, de mesmo nome de Koji Suzuki, uma espécie de Stephen King oriental. Já O Grito vem de uma série longa de filmes com o nome original de Ju-On. Diferente do convencional, a versão ocidental se manteve nas mãos de seu diretor raiz: Takashi Shimizu.

    Desta união entre o útil e o agradável na visão de Hollywood, surgiram filmes e franquias como O Chamado e O Grito. Na primeira, somos apresentados a Samara (Sadako em japonês), uma menina nenhum pouco meiga que aparece pra você depois de ver sua VHS bem velha. Sete dias e você está marcado para morrer bem sequinho e com a cara toda torta. Já na segunda franquia, Kaiako, seu gato dos infernos e seu filho, Toshio vem para assombrar a vida das protagonistas. Mas todas elas tem um ponto em comum, além de serem obviamente nipônicas, são representações de uma mesma lenda. E, como parte do folclore japonês, eles acreditam nisso da mesma forma que muitos ocidentais acreditam em demônios, fantasmas e coisas do gênero. Se segura e deixa a luz acesa pra você dormir a noite depois dessa.

    No Japão, existe a ideia de que se alguém morre com raiva - de você ou de qualquer pessoa - ou de modo violento ou subitamente, ele não vai descansar em paz não. Pra quem não padece dessa forma, normalmente é velado com uma cerimônia e funerais a moda japonesa. Logo, não se transforma em alma penada. Na verdade, se transforma em guardião das futuras gerações de sua família. Agora, se morreu com raiva ou de forma violenta, ou ainda não teve o devido funeral, esse caminho não rola. O reikon, que para os japoneses é algo como a alma humana não descansa, e transforma-se em um yurei, nome bonito para fantasmas, almas penadas ou semelhantes.

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    Uma típica fantasma vingativa japonesa.
    Para os japoneses, o mundo físico é dividido do mundo dos espíritos, tanto é que existe um caminho que todo mundo que morre tem que pegar. Existe um ponto do meio, um purgatório oriental, em que o espírito para e reflete sobre sua morte. Ele finalmente aceita o seu destino e depois está apto para prosseguir ao próximo plano. Não é o que acontece com um Yurei, já que está tão ligado aos acontecimentos terrenos, que ele decide dar meia volta, e entra no mundo dos vivos.

    As lendas que basearam filmes como O Grito e O Chamado se enquadram como yurei. Só que tem uma subdivisão até dentro dos fantasmas. O grupo das Onryo são os mais temidos dentro de todo o folclore japonês, já que apenas uma única coisa as movem; vingança. Um yurei, de modo geral, irá assombrar o local de sua morte ou - normalmente - as pessoas que tiveram ligação com o seu fim. Isso cria uma maldição que, como uma doença real, pode ser transmitida de pessoa para pessoa. É como se, pegando um pouco da tradição ocidental, o Yurei saísse de seu lugar de morte e se transformasse em um encosto. Isso mesmo, eles ficam do ladinho daqueles que eles acham bem assombrar de toda a forma.

    Só que há uma espécie de limite entre assombrar e destruir. Um Yurei normal pode causar danos severos a vida da pessoa que está ligada, mas uma Onryo é extremamente vingativa, irada e todos os adjetivos próximos. Tanto é que tem forças o suficiente para intervir na natureza das coisas, matando imediatamente aquele que preferir. No entanto, como seu ato número um é vingança, ela prefere uma morte bem lenta, vendo o sofrimento de seu escolhido e seu definhar pouco a pouco. É possível que uma Onryo não prefira a morte, mas a tortura psicológica inclusive. O pior é que, por mais que sempre consigam, sua satisfação nunca é saciada, e ela procura outras pessoas para se ligarem, e assim começar o ciclo novamente.

    A aparência de uma Onryo foi seguida a risca pelos filmes. Normalmente, ela se apresenta como mulher, com cabelos escuros para frente do rosto e de vestes brancas. Essa roupa, normalmente é um kimono apropriado. Junte tudo isso com uma pele pálida e teremos a personificação de um espírito de vingança. Mesmo com todo o perigo na mitologia nipônica, existem rituais que retiram o sentimento de vingança do lugar e conseguem mandar a criatura novamente para o seu mundo. No entanto, mesmo depois de uma purificação, o sentimento deste fantasma é tão intenso que mesmo exorcizado, é possível ainda sentir os efeitos de sua contaminação.

    Segundo consta, o horário ideal para ver tais criaturas é por volta das 2 ou 3 horas da manhã, já que para os japoneses, é o momento em que uma fenda entre os vivos e os mortos se abre. Normalmente, pessoas em condições normais de temperatura e pressão não ousariam fazer o que eu falo, mas aqui vai. Depois de conhecer a história por trás desses filmes, você teria coragem de assistir um deles nesse horário? Da minha pessoa eu posso falar, e te garanto que pelo certo ou duvidoso, eu acho que não.

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