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    Dallol, na Etiópia, é o lugar mais quente do mundo.

    Esqueça qualquer paisagem que você já viu. Dallol, uma cratera vulcânica na Etiópia é de outro planeta. Com lagos sulfurosos e uma atmosfera efervescente, é estranho saber que existe um lugar assim na Terra.

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    Há um tempo atrás, você conferiu uma matéria aqui sobre o deserto mais quente do planeta. E o ganhador foi o Lute, no Irã, com temperaturas insuportáveis de 42ºC. Lá, foi medida a temperatura mais alta do planeta, 70,7ºC em 2005 por meio de satélites. Porém, existem lugares que não são desertos e são igualmente quentes. Ou até pior. Existe um ponto do planeta Terra que definitivamente é a terra dos extremos. Trata-se de uma falha geológica em companhia de um vulcão na região de Afar, Etiópia. A região de Dallol, marcante para fotografias tem um visual de outro mundo, e também extremamente perigoso. Com temperaturas entre 40ºC, o pico atinge os 47ºC entre os meses mais quentes.

    Calor insuportável para qualquer vida humana. Dallol na verdade trata-se de uma cratera de um vulcão do mesmo nome, cercado por um deserto, o Danakil. É praticamente inexistente a presença de chuvas, e o vento é uma coisa rara. Graças a sua localização, de 48 metros abaixo do nível do mar. Desde 1926, última erupção do vulcão, a terra local sofreu com transformações. Um lago se formou dentro da cratera. Mas não é um lago comum. As altas concentrações de componentes como enxofre e potássio é capaz de desintegrar um corpo humano que sem querer, caia em seus arredores. Também, por causa desses elementos que o local apresenta cores singulares, dando aspecto de uma vida alienígena. 

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    É comum tons amarelados, vermelhos, verdes e brancos entre as fumarolas. Quem já visitou diz que a sensação é de que seu corpo está literalmente queimando. Os geólogos e outros especialistas da área dizem que esse pode ser um espelho de bilhões de anos atrás da Terra. Como se fosse um portão para o passado. Contudo, mesmo com todo o impressionante aspecto de mundo alternativo, a paisagem já foi lar de uma cidade, agora abandonado. Dallol também era o nome da cidade, que durante os anos 10 do século XX serviu para a retirada e o transporte de sal. Uma companhia ferroviária inglesa foi construída na região no intuito de ajudar o comércio e as exportações. Porém, as temperaturas extremas fizeram com que a cidade fosse reduzida a nada antes de 1920. A ferrovia foi simplesmente parada depois da Segunda Guerra Mundial. Agora, em paralelo com áreas sulfurosas, é possível encontrar tratores e equipamentos de extração enferrujados no meio do deserto.

    Lembra da ideia de uma localidade alienígena? Então, além de representar o início da Terra, quando a crosta terrestre ainda se resfriava, os astrônomos tem um outro corpo celeste em mente quando olham para o Dallol. Io, uma lua de Júpiter parece possuir uma crosta da mesma forma que a vista na região de Afar. Sua atividade vulcânica é tamanha que é conhecida no sistema solar como o corpo vulcanicamente mais ativo já visto. Embora tenha ganhado fama somente no século XX, após os britânicos encontrarem o local, o Dallol já tinha sido mostrado, nas Escrituras. Pelo menos no conjunto da Igreja Etíope, o lugar aparentemente é citado no Livro de Enoque. Esse manuscrito é destacado como originário do ano 1 a.C, e conta como Enoque previu o fim do mundo. Nele, um grande abismo se abrirá e a Terra será consumida pelo fogo. Esse abismo é nada menos do que as portas do inferno. É claro que a Bíblia Etíope não coloca uma localização exata, mas pelos termos "fogo" e "enxofre" e bem, essa região já era conhecida pelos etíopes. 

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    Tudo leva a crer que o escrito tenha se inspirado nessa região. Esquecendo um pouco o lado religioso, embora a região seja extremamente perigosa, ela é uma benção para os cientistas, tanto para compreender a Terra e sua constituição. Como também para encontrar criaturas que poderiam sobreviver em ambientes tão adversos, os extremófilos. Mesmo tendo o enxofre e outros compostos perigosos como seus principais reagentes, o Dallol ainda é lucrativo financeiramente. Desconsiderando-se é claro a dura vida do povo que vive na região, os Afares. Habitantes de toda a região do Chifre da África, esse grupo étnico é predominantemente muçulmano e nômade. 

    Os que vivem no deserto de Danakil ganham o seu sustento da extração mineral, principalmente do sal de Dallol. Depois que os britânicos saíram, eles se tornaram os únicos a suportarem as condições de trabalho. E quando digo que as condições são as piores possíveis, é pelo fato de serem mesmo. Os afares trabalham com ferramentas que remetem a era das Pirâmides egípcias, andam sem nenhuma proteção por toda a região. Quando ficam doentes, não possuem acesso a nenhum posto médico ou medicamentos. Contam com o organismo para se curarem, ou então morrem. Simples assim. Um povo duro que consegue sobreviver próximo de uma região igualmente dura.

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    Enfim, a descrição da região de Dallol pode não ser a mais convidativa de todas. Na verdade, nem é convidativa. Gases tóxicos saindo de fumarolas, lagos de enxofre que podem te desintegrar se você escorregar dentro deles. Montanhas de areia movediças formadas pela junção da sílica e do ácido sulfúrico. Além do próprio calor, desesperador e que faz do lugar o mais quente do planeta. Mesmo assim, é possível encontrar beleza, uma beleza perigosa, como é possível ver nas imagens extraídas da região. Dito tudo isso, é possível tirar uma constatação das fendas do Dallol, como é possível encontrar beleza até mesmo nas regiões mais inóspitas. Pelo menos por agora, já que se pudéssemos viajar bilhões de anos atrás, mais locais como Dallol seriam comuns na jovem Terra. A pergunta que fica, você iria numa viagem até este ponto do planeta?

    Um comentário:

    1. Que lugar incrível. Eu quero ir um dia pra lá sim. Claro que com os cuidados necessários, mas essas imagens, eu já vi na Internet e são bem diferentes.

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