Header Ads

  • Últimas Postagens

    O que a invasão de ursos polares em Nova Zembla tem a nos dizer.

    O Ártico é o habitat do Urso Polar. Contudo, a ilha russa de Nova Zembla vem sendo invadida por esta espécie, que se apressa em encontrar alimento no meio do degelo. Essa migração forçada pode dizer algo sobre o aquecimento global.


    Efeitos de migração não são raros no mundo animal. A planície do Serengheti na África por exemplo, apresenta a maior migração do planeta. Baleias, focas, pinguins também entram no modelo de migrar de um local para outro, seja por acasalamento ou pela temperatura. Porém, nem sempre essas migrações são naturais. Em reportagem recente da BBC Brasil, um arquipélago longínquo do pólo norte está sofrendo com uma peculiar invasão, a de ursos polares. O local é a ilha de Nova Zembla, administrada pela Rússia. A ilha foi usada durante a Guerra Fria como palco de testes nucleares, em especial a maior bomba da Terra. Agora, não é a radiação que preocupa seus moradores, mas sim os novos habitantes polares. Por isso, os administradores de Nova Zembla chegaram a decretar estado de emergência para tentar conter a invasão de Ursos Polares.

    Na natureza e em condições normais de alimentação, os ursos polares são os maiores de sua categoria, os Ursídeos. Somente o Urso de Kodiak, na ilha homônima do Alasca consegue alcançar o seu peso. Os machos podem alcançar 800 kg em uma dieta rica, enquanto as fêmeas ficam na casa dos 300 kg. Diferente de toda a cadeia ursídea, o Urso Polar adentrou em um nicho específico, e por isso foi sofrendo as devidas adaptações. A mais óbvia é sua pelagem transparente, que aos olhos humanos é vista como branca por refletir a luz do sol. Por debaixo dessa camada, ele tem uma espessa pelagem, justamente para manter a temperatura corporal, por ser um mamífero. Por viver em um dos mais gélidos locais, qualquer mudança de temperatura faz com que essa espécie seja uma das primeiras a sofrer. E, com a diminuição do gelo nortenho, estes animais acabam passando mais tempo em terra firme, onde passam a competir por alimentação. E ao mesmo tempo, se aproximam dos humanos exatamente no intuito de sobreviver ao demonstrar seus instintos quando a fome passa a apertar.


    Como a ilha de Nova Zembla faz parte do Círculo Polar Ártico, se torna um bom local para que os ursos possam habitar. De acordo com as informações providas por Alexander Minayev, uma autoridade local, não foi revelado o quanto de ursos já estão na ilha, mas seus ataques envolvem seres humanos e a invasão de prédios públicos. Por sorte, para os ursos, a caça e o abate desta criatura é proibida pela Rússia e o Ministério do Meio Ambiente local já descartou essa hipótese. Contudo, o governo local tem alertado a população para que não deixe as crianças fora de casa. Pode parecer algo incomum, mas o arquipélago já foi invadido por usos tempos atrás. Em 2016, o governo russo teve que demolir antigos prédios governamentais pois estavam servindo de moradias para ursos invasores. Contudo, nunca antes a invasão tomou a escala que se apresenta. O termo "massivo" é destacado pela mídia mundial, embora um número fixo não seja destacado.

    Agora, que esse degelo e a migração forçada dos ursos é algo inédito não é. Em 2018, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU já vem alertando. E destacando que com a perda do gelo do Norte poderia fazer com que os ursos polares morressem de fome. Os cálculos firmados pela entidade destacam que, se o aquecimento global fosse mantido na mesma proporção, em um aumento de 2ºC, o gelo poderia desaparecer na maior parte do ano. Nesse caso, os ursos polares teriam como dieta principal a carcaça de baleias. Em teoria, uma comunidade de mil elementos poderia sobreviver nos meses mais críticos com as sobras de oito cetáceos. Mesmo assim, nem todas as áreas do Ártico são habitadas por baleiras, e aqueles que estivessem nesses lugares estariam fadados a morrer por inanição. Mesmo com a invasão de Nova Zembla mostrando que existe algo de errado nessa migração forçada, é comum ver o ceticismo pelo Aquecimento Global.


    Até mesmo por que os ursos polares já foram usados como propaganda para destacar a inexistência desse efeitos. Para os mais céticos quanto ao aumento da temperatura influenciada pela humanidade, existe uma explicação. Trata-se de um efeito natural do planeta, que de tempos em tempos passa por um aquecimento e resfriamento. Logo, o efeito antropológico, provocado pelo homem não é o responsável por essas mudanças. Os ursos polares enfim não tiveram uma queda em sua população como imaginada pelos adeptos do Aquecimento. Logo, estava na quantidade de ursos sobreviventes a constatação de um alarmismo exagerado pela imprensa. É claro que isso não caiu bem na maior parte da academia que considera que o Aquecimento Global tem sim uma dedo antropológico. E que com ele, a população de ursos polares terão de se adaptar para sobreviver, mesmo que para isso tenham de se aproximar dos seres humanos.

    É claro que a invasão dos ursos polares em Nova Zembla ainda será palco de diversas indagações. A maior parte da mídia mantém a ideia de que tudo isso está acontecendo pelo Aquecimento Global. Não muito tarde, é provável que os mais céticos tenham os seus argumentos para essa migração. E com toda certeza, também farão suas exposições. Contudo, é de se pensar pelo menos um pouco o motivo que levou uma massa de ursos polares a sair de seu estado tradicional de alimentação. Durante a maior parte do ano, eles vagam pelo gelo do Norte, e, quando não existe esse gelo, eles tem que se adaptar. No fundo, os Ursos Polares podem ser o sinal de que algo anda errado no mundo, e se olharmos com cuidado o que vem acontecendo com esta espécie, talvez saibamos agir de alguma forma. Antes que seja tarde demais.

    Fonte:
    BBC Brasil
    Revista Galileu
    Folha de São Paulo

    Nenhum comentário

    Autor