O Brexit e os problemas que o Reino Unido terá de resolver.

Brexit é o termo para a retirada do Reino Unido da União Europeia. Contudo, um divórcio como esse não é fácil, e os problemas surgem de todas as pontas. Agora, Londres terá que correr contra o tempo para evitar o choque de uma saída sem qualquer tipo de acordo.

Brexit é o termo para a retirada do Reino Unido da União Europeia. Contudo, um divórcio como esse não é fácil, e os problemas surgem de todas as pontas. Agora, Londres terá que correr contra o tempo para evitar o choque de uma saída sem qualquer tipo de acordo.


Política é realmente algo complicado. Trata-se de um imenso jogo de xadrez, onde todas as peças devem ser demasiadamente estudadas. Uma ação feita com o seu bispo por meio de um acordo comercial pode desencadear uma punição indireta no outro. Uma simples fala ou uma insinuação de ação também podem custar caro. Só da possibilidade da mudança da Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém causou estranheza no mundo árabe. Sendo que o Brasil é o maior produtor de carne Halal, a carne específica dos muçulmanos. Porém, não é do Brasil que vamos falar, mas da Terra da Rainha. O que motivou esta publicação foi a segunda rejeição do acordo do Brexit no Parlamento Britânico, faltando apenas 14 dias para que o Reino Unido tenha de sair por lei. 

Com o tempo tão curto, os britânicos terão de rebolar para forjar algum acordo menos danoso para sua economia. Mas, quais são os caminhos que o Reino Unido pode trilhar? Sem o aceito do acordo perante a Casa dos Comuns, o equivalente a Câmara dos Deputados, Londres tem duas opções. Ou deixa a União Europeia assim mesmo, ou tenta adiar esta verdadeira novela que se arrasta desde o Referendo de 2016 que definiu sua saída do comando Europeu. Para o Reino Unido como um todo, a fatura será alta, como alerta reportagem do El País. Mesmo não aderindo ao Euro como moeda única - eles possuem a Libra - produtos britânicos possuem liberdade pela Zona Europeia. Suas tarifas são compactuadas pelo Mercado Comum Europeu. 

Numa saída sem nenhum acordo, literalmente da noite para o dia os produtos da Ilha da Britânia passaram a ser coordenados pela Organização Mundial do Comércio.  Todo o mercado que vai de Lisboa até Varsóvia, passando por Paris, Roma e Berlim será perdido pelos produtos britânicos. Um outro ponto é quanto a movimentação de capital. Desde a criação da União Europeia no final do século XX, Londres sempre despontou como líder do grupo. Mesmo sem jamais aderir a Zona Euro. Ainda assim, era uma das vozes mais proeminentes na União, junto da França e da Alemanha. Com sua saída, seja com ou sem acordo, Londres perde esse poder. Agora, quando empresas pensarem no mercado comum da Europa não instalaram sedes ou filiais no Reino Unido, mas em outros estados.


Os números surpreendem em especial neste ramo financeiro. O coração de Londres, a City é considerada um dos berços do capitalismo financeiro.  Segundo o El País, 11% do total da receita nacional britânica se deve as receitas fiscais dos trabalhos da City. Além disso, emprega-se em torno de um milhão de pessoas. Seu peso na economia da União Europeia é considerável, e Londres busca nesse status o momento certo para jogada. Não por menos, enquanto outros setores possuem uma negociação mais caótica. Como é o caso do setor humano de imigração, as finanças estão bem adiantadas. O governo britânico já aceitou que empresas europeias continuem trabalhando da mesma forma por até três anos após a saída do Estado do Brexit.

Porém, para que isso tenha uma contrapartida, é necessário a benevolência de Bruxelas. De nada adiantaria Londres permitir os trabalhos europeus se os europeus também não o fizessem. No fundo de todas as negociações, a City não faria mais parte do conglomerado financeiro que é a União Europeia. Seu passaporte que lhe daria primazia sobre outras entidades financeiras finalmente expira. Sem acordo, as entidades britânicas terão a obrigação de fazerem acordos com cada estado nacional europeu. Suas atividades deverão ser registradas e legalizadas em todos os territórios que anteriormente ela detinha total liberdade. Cerca de 40% das exportações do setor financeiro londrino vai para a União Europeia. Com uma saída abrupta essas exportações seriam freadas. Sofre Bruxelas e a União Europeia sem esses produtos. Sofre ainda mais o Reino Unido sem conseguir exportar.

Sem o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo, o problema humano também se fará presente com o Brexit. Pelo fato de pertencer a União Europeia, era possível que europeus tivessem a liberdade de moradia e de trabalho entre seus Estados. Um homem húngaro poderia sem grandes dificuldades - algumas na verdade - conseguir emprego na Holanda ou na Inglaterra. Com a saída do Reino Unido pelo Brexit, esses trabalhadores se encontrariam no limbo, em ambos os lados. Os europeus como um todo teriam de seguir as leis mais rigorosas e tradicionais de imigração, da mesma forma que britânicos que trabalham no Continente, ou na Irlanda, ilha vizinha adepta ao mercado comum.


Um último ponto, e igualmente problemático para esse emaranhado é a fronteira da Irlanda com a Irlanda do Norte. A primeira é uma nação independente, e como já falado, atrelada a União Europeia. A outra é uma das quatro nações que compõe o Reino Unido. Com um passado de conflitos entre os protestantes norte-irlandeses e os católicos irlandeses, o medo é de que essa rivalidade possa retornar. Nos acordos negociados pelo Brexit, o Conselho Europeu destacava a necessidade de um backstop na Irlanda do Norte. Como esse pedaço britânico está limitada na Ilha da Irlanda, em fronteira terrestre, o medo era um recrudescimento nas relações comerciais e humanas entre as duas Irlandas. Com esse backstop, a Irlanda do Norte seria britânica, mas estaria ligada a alfândega europeia temporariamente.

Claro que nem todos os produtos estariam dentro desse backstop. Contudo, essa formulação é uma faca de dois gumes. Se o problema era da criação de uma área de fiscalização de fronteiras, a Irlanda do Norte se aproximaria ainda mais da República Irlandesa. Se torna assim um território "errante" dentro do Reino Unido. Tem regras especiais mais próximas do bloco europeu, mesmo sendo britânica. Alguns produtos oriundos da Ilha Britânica seriam taxados temporariamente pelo efeito deste backstop. É claro que esse projeto sofre revés em especial dos apoiadores do Brexit. Afinal, é como se o Reino Unido desse de bandeja uma aproximação ainda mais forte entre as Irlandas. Incentivando assim sentimentos de reaproximação desde separação das duas Irlandas.

Todos estes problemas podem aparecer de imediato, da noite para o dia. Isso é claro se Londres não conseguiu encontrar uma resposta para seu próprio problema. Segundo a Reuters, após a segunda rejeição, membros do Conselho Europeu já descartaram retornar as negociações. Porém, não fizeram o mesmo com o possível adiamento da saída em definitivo do Reino Unido. Tal situação mostra-se a mais coerente e menos dolosa para ambas as partes. Em especial para a Terra da Rainha. Contudo, o abacaxi já foi descascado a muito tempo e os britânicos deverão chegar a um consenso de como deixarão a União Europeia. Como isso será feito é uma incógnita, e ninguém sabe o que pode acontecer. Mas o relógio para que separa Londres do resto do mundo europeu não para de girar.

Fonte: El País e Reuters.

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O Curioso Mundo de Vítor Hugo: O Brexit e os problemas que o Reino Unido terá de resolver.
O Brexit e os problemas que o Reino Unido terá de resolver.
Brexit é o termo para a retirada do Reino Unido da União Europeia. Contudo, um divórcio como esse não é fácil, e os problemas surgem de todas as pontas. Agora, Londres terá que correr contra o tempo para evitar o choque de uma saída sem qualquer tipo de acordo.
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