As Parcas e a Roda da Fortuna. Uma representação do destino humano.

A busca por entender o destino faz a humanidade criar suas interpretações. Dentre elas, as mais singulares são A Roda da Fortuna e suas utilitárias, as Parcas. São estas entidades que controlariam o início e o fim da vida mortal.

A busca por entender o destino faz a humanidade criar suas interpretações. Dentre elas, as mais singulares são A Roda da Fortuna e suas utilitárias, as Parcas. São estas entidades que controlariam o início e o fim da vida mortal.

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O destino sempre foi um personagem importante na vida da humanidade. Mesmo diante de alguns caprichos imagináveis, de tempos em tempos se acreditava na possibilidade de controlá-lo. Histórias de lendas gregas e romanas faziam com que heróis rumassem ao seu próprio futuro, mesmo com a intervenção de todas as forças possíveis e imaginadas. Na Idade Média, esse conceito é atrelado a vida humana, ao desenvolvimento do ser até a sua terrível decadência. Poemas como Carmina Burana, encontrados na Bavária e usados por Carl Orff na cantata homônima são exemplos perfeitos deste pensamento. Por esse motivo, é importante falar de uma das mais importantes representações do destino, a Roda da Fortuna e as mestras que a utilizavam, as Parcas ou Moiras. A depender de qual mitologia você utilizará.

Traçando o rumo do primeiro elemento, temos a Roda da Fortuna. Tal objeto era de propriedade da deusa de mesmo nome na mitologia romana. Fazendo parte do mesmo panteão que Justitia, a personificação do que hoje é a Justiça. Já na Grécia, sua contra parte era Tique. Afirma-se que a roda nada mais é do que a demonstração dos altos e baixos existentes durante uma vida humana. Como o termo Fortuna era visto como "sorte" e não com "dinheiro" como é nos dia de hoje, essa mudança demonstraria os caprichos do destino para com os seres humanos. Em determinados pontos da vida, quando a roda estava por cima, era uma fase próspera. Do contrário, ele estaria de cabeça para baixo e propenso ao azar. Porém, por mais que os heróis conseguissem fugir em partes de seu destino, eles jamais o renegavam. Pois a roda da fortuna eram iguais para todos.

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Mesmo sendo um  conceito da Era Clássica, ela retornou na Idade Média. Na verdade, é nesse período que o objeto ganha ainda mais popularidade. Aparecendo na pintura, em vitrais e até mesmo em pequenas cartas produzidas no século XV, o tarô. Aqui, no jogo esotérico a representação é similar. Nem sempre o mundo e a energia cósmica estará a favor de você, muito menos contra. Ele será cíclico. Além disso, acrescenta-se a ideia de causa e efeito. Tudo aquilo que você escolhe ou faz, mais cedo ou mais tarde é determinante em certa consequência. Em ambos os casos, na arte medieval e nas cartas de tarô, a ligação da Roda com o destino não vem apenas de sua proprietária. Elas também são usadas pelas Parcas, que ao tecerem o fio da vida de todo o ser humano, são a representação de suas partes, o nascimento, o desenvolvimento e a morte.

A história tanto das Parcas quanto das Moiras são idênticas, com a exceção de que seus nomes são respectivamente dos romanos e dos gregos. Pelo mito, elas são filhas da Noite, Nix. Assim, são irmãs de outras entidades como Thanatos, a morte, e Hypnos, o sono. Seriam três entidades com poderes únicos, que nem mesmo Júpiter, ou Zeus na Grécia, conseguiria deter as suas decisões. O trabalho principal das Parcas era o de criar o tecido da vida por meio da roda da fortuna. Os giros para a produção do fio da vida seriam os período de boa e má sorte. Tem-se então uma ideia mais seca do destino, de que a vida humana era mortal. Para isso, os trabalhos eram bem delimitados entre as três irmãs.

Nona era a que iniciava a criação do fio da vida, Décima era a que cuidava da extensão daquele fio dourado, e por fim Morta era a responsável, com sua tesoura sagrada de cortar o tecido da vida. Assim, a mortalidade se faria presente. O respeito que os romanos tinham perante as fiandeiras do destino também pode ser visto em seu calendário. Antes mesmo da criação de Júlio César de seu calendário, Roma contava os anos por meio do sol. E os meses por meio da lua. Lembra quanto tempo mais ou menos é a gravidez humana? Sim, nove meses. Ou nove luas pelo calendário da antiga roma. Por isso, a primeira das irmãs tem o nome de Nona, pois ela representa o nascimento do ser humano. Décima por outro lado é a representação do mês seguinte, quando a ligação entre a mãe e o filho é interrompida.

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É a partir desse momento que o fio da vida da criação começaria a ser costurado pelas Parcas. Décima ainda ficaria encarregada de sugerir até onde esse fio teria de extensão. Somente depois, com o aval de Décima é que Morta se encarregaria, de quando chegasse a hora, cortasse o fio da vida. Em mitos mais específicos, dizia-se que eram cegas, e por isso dificilmente era possível prever até onde a vida de um mortal chegaria, já que dependeria do gosto das Parcas. O mito grego, primeiro em relação ao romano foi ganhando força ao ponto de que tempos depois os nomes de Parcas foram entrando em desuso. Em seu lugar, as Moiras passaram a ter credibilidade também.

Eram as mesmas irmãs, porém com nomes distintos. A primeiro era Cloto, que em grego significa fiar. Ela cuidava dos nascimento e era a principal usuário da roda da fortuna. A Moira que cuidava da extensão do fio passou a se chamar Láquesis, algo como sortear. Ela sozinha já se torna a personificação do destino, já que por meio da "sorte" era possível saber a extensão do fio da vida. Por fim, a implacável Átropos, do grego afastar, fazia o seu trabalho de retirar a vida. Percebe-se então que o conflito com o destino não é algo novo. O ser humano passa pela preocupação de entender esse conceito. E as Parcas, assim como a Roda da Fortuna são as representações dessa preocupação.

Fonte: Wikipédia, Eventos Mitologia Grega e Mitologia e Fantasia.

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O Curioso Mundo de Vítor Hugo: As Parcas e a Roda da Fortuna. Uma representação do destino humano.
As Parcas e a Roda da Fortuna. Uma representação do destino humano.
A busca por entender o destino faz a humanidade criar suas interpretações. Dentre elas, as mais singulares são A Roda da Fortuna e suas utilitárias, as Parcas. São estas entidades que controlariam o início e o fim da vida mortal.
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O Curioso Mundo de Vítor Hugo
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